INCONTINÊNCIA FECAL

Pode variar de pequena perda fecal ocasional até completa falta de controle intestinal. Estima-se que a incontinência fecal moderada ou grave tenha prevalência de até 7% na população em geral, e que até 80% das pessoas de idade avançada internados em instituições geriátricas sofram com isso. Ainda, cerca de outros 7% da população adulta perdem diariamente quantidade mínima de fezes, incapaz de comprometer o convívio social.

Grande parte das decisões de internação de pacientes idosos em instituições desse tipo é influenciada pela presença da incontinência fecal.
As causas são diversas, e podem incluir doenças inflamatórias dos intestinos, lesões do sistema nervoso central, traumas obstétricos, fraquezas musculares, uso de remédios, e outras causas.

Por esse motivo é essencial que se estabeleça o tratamento adequado para cada um dos casos.

O TABU DA INCONTINÊNCIA FECAL E OS DIVERSOS TRATAMENTOS PARA SEUS PORTADORES

Incontinência fecal (ou incontinência anal) é a perda involuntária de fezes ou gases, que afeta aproximadamente de 2 a 5% da população brasileira, em maior ou menor grau.
Como muitas pessoas tendem a esconder o problema e não contar nem ao seu médico, esse número é difícil de ser avaliado. A falta de conhecimento de uma possibilidade de tratamento e a vergonha de comentar sobre o problema gera ansiedade, depressão e isolamento social. É importante que o paciente saiba o máximo possível sobre esta condição e converse abertamente com seu médico.
A incontinência fecal é normalmente uma situação tratável, e o tratamento pode diminuir os sintomas e até curar a incontinência. Entre os adultos jovens, o problema é mais comum nas mulheres, e afeta idosos de maneira semelhante.
A continência normal exige função normal tanto do sistema nervoso, quanto do trato digestivo, além dos esfíncteres anais e musculatura pélvica, que envolve o final do intestino grosso. Muitas são as causas de incontinência, e muitas vezes são combinações de várias causas, dentre elas, destacam-se:
Lesão dos esfíncteres anais: são músculos localizados na pelve e no final do reto e ânus circundando-os em forma de anel. A sua contração evita o escape involuntário de conteúdo intestinal, e é crítico para manutenção adequada da continência. Qualquer dano ou perda de controle sobre esses músculos pode levar à incontinência. Esse tipo de lesão ocorre mais comumente durante o parto vaginal ou cirurgia anal (especialmente cirurgia de hemorróidas).
Causas neurológicas: diabetes, esclerose múltipla, trauma ou tumores medulares podem diminuir as sensações, a força e o controle nervoso sobre o trato digestivo inferior. Também o parto vaginal pode levar à acometimento da função esfincteriana, mesmo após vários anos do parto.
Diminuição da distensibilidade do reto: doenças inflamatórias intestinais ou induzidas por radioterapia podem diminuir a capacidade de expansão e armazenamento de fezes do reto.
Alteração crônica da consistência das fezes: fezes endurecidas no reto podem levar os esfíncteres anais a se relaxarem e permitir a passagem de fezes líquidas além desse bloqueio. É causa freqüente de incontinência em adultos mais velhos, já que são causadas por perda da sensibilidade retal, falta de mobilidade, algumas condições de saúde mental e ingestão pobre de líquidos e fibras. Por outro lado, o abuso de laxativos para tratamento da incontinência crônica pode levar à formação de fezes líquidas, que são mais difíceis de segurar.
Doenças orificiais: doença hemorroidária, fissura anal, abscessos ou fístulas perianais podem levar à perda de muco ou pus pelo ânus, simulando incontinência leve.
Outras causas: crianças com defeitos congênitos no ânus e esfíncteres anais podem sofrer de incontinência. Algumas vezes, as causas podem não ser conhecidas, e são chamadas de idiopáticas. Ocorrem com maior freqüência em mulheres adultas.
A causa da incontinência quase sempre pode ser estabelecida com uma avaliação cuidadosa da história clínica, exame físico e testes diagnósticos.

HISTÓRIA CLÍNICA
Alguns dados da história da incontinência podem sugerir as causas. É importante que o médico tenha conhecimento da natureza, duração, severidade e forma de início dos sintomas, principalmente porque a queixa não é espontânea na maioria das vezes, mas aparece apenas seguida ao questionamento médico.

EXAME FÍSICO
Avaliação da região perianal, da presença de vestes sujas, defeitos anais ou cicatrizes perianais visíveis, além do toque retal, são importantes para ajudar no estabelecimento do diagnóstico da causa da incontinência.

TESTE DIAGNÓSTICOS
Apesar do exame físico e história já sugerirem a(s) causa(s) da incontinência, alguns testes são particularmente úteis no diagnóstico correto, para que se possa estabelecer um tratamento adequado.
EXAME DIRETO DO INTERIOR DO INTESTINO Colonoscopia, sigmoidoscopia ou anuscopia podem ajudar a identificar inflamações, tumores e outras causas de incontinência.
EXAME DE FEZES Pode ajudar a identificar a causa de incontinência em alguns pacientes com diarréia.
ULTRA-SONOGRAFIA Pode revelar anormalidades dos esfíncteres, parede retal e musculatura pélvica que ajuda na continência.
AVALIAÇÃO FISIOLÓGICA Manometria anorretal, testes de condução nervosa, defecografia, eletroneuromiografia são exames de alto valor para o diagnóstico da causa da incontinência. São necessários à medida que demonstram a capacidade de contração do esfíncter anal, a transmissão nervosa para os músculos da continência e permitem enxergar a contração da musculatura pélvica no momento da evacuação.

TRATAMENTO

O tratamento para a incontinência depende do diagnóstico e deve ser individualizado. Cada uma das causas de incontinência pode se beneficiar com um tipo de tratamento: clínico, com medicações, com biofeedback e cirurgia.
O tratamento clínico inclui medicações e algumas medidas para reduzir a freqüência da incontinência e alterar a consistência das fezes, levando a controle mais adequado. Eventualmente lavagens intestinais podem ser orientadas a alguns pacientes, principalmente em situações onde o risco de constrangimento pela perda fecal é maior (viagens ou eventos sociais). Algumas vezes é necessário incluir a psicoterapia para melhores resultados.
Já o biofeedback é um tipo de fisioterapia para a musculatura da defecação, segura e não invasiva, que faz um re-treinamento da musculatura retal e pélvica. Utiliza sensores ligados a um computador, e mostra na tela qual o tipo de movimento mais adequado para a continência anal, o que ajuda a identificar e contrair os músculos adequados. Pode melhorar a continência em até 90% das vezes, e até curá-la, dependendo da causa. Os efeitos benéficos desse treinamento podem começar a se perder após alguns meses, e uma nova sessão pode ser necessária.
Alguns poucos pacientes podem ser beneficiados com cirurgia, através de várias técnicas cirúrgicas diferentes, incluindo reparo direto da musculatura, reforço das estruturas anais, implante de esfíncteres artificiais, transposição de músculos de outras áreas e até colostomias em casos extremos. Apesar de bons resultados, quando bem indicados, os tratamentos cirúrgicos da incontinência anal podem ter um índice alto de complicações e resultados imprevisíveis. Os melhores resultados cirúrgicos são obtidos em correção de defeitos musculares específicos.
Para que se tenha os melhores resultados possíveis, associa-se técnicas de tratamento clínico, psicológico, fisioterápico e cirúrgico.