TRATAMENTO CIRÚRGICO


As cirurgias para o tratamento da obesidade mórbida podem ser divididas em três grupos: cirurgias de restrição gástrica, cirurgias de má absorção, e cirurgias que combinam a restrição gástrica e algum grau de má absorção. Estas técnicas foram desenvolvidas nas últimas décadas e todas são efetivas - em maior ou menor grau - para o controle da obesidade mórbida.

Os objetivos da Cirurgia Bariátrica são:
  • Diminuir (ou curar) doenças associadas à obesidade
  • Perda de peso confiável e duradoura
  • Tratamento de obesos mórbidos que tenham falhado em perder peso com dietas, exercícios e medicações
  • Restaurar a vida ativa e saudável
  • Melhorar a qualidade de vida

QUAIS SÃO OS RISCOS DA CIRURGIA DA OBESIDADE? O QUE É FEITO PARA DIMINUIR OS RISCOS?


Em qualquer tipo de cirurgia há um risco de complicações e mesmo de mortalidade. Os riscos relevantes e que merecem citação são:
  • Infecção da ferida cirúrgica - ocorre raramente. São usados antibióticos preventivos e banhos com antissépticos específicos para evita-la.
  • Hérnias abdominais são complicações tardias e que exigem correção cirúrgica. Estão mais relacionadas à presença de infecção na ferida. Normalmente pode ser corrigidas no mesmo tempo cirúrgico da plástica do abdome, após vários meses da gastroplastia.
  • Ocorrência freqüente de vômitos e diarréias, que podem se tornar um problema ao comer certos tipos ou quantidades de comida.
  • Obstrução do reservatório gástrico por alimentos sólidos não mastigados adequadamente.
  • Obstrução intestinal pode ocorrer, havendo necessidade de nova cirurgia.
  • Migração do anel de silicone, com ou sem obstrução da bolsa gástrica ou do intestino. Se houver impedimento à passagem de alimentos pode ser necessário retira-lo através de cirurgia ou endoscopia digestiva.
  • Formação de coágulos nas veias, normalmente dos membros inferiores - Trombose venosa profunda, que podem se desprender e migrar para qualquer local do corpo. Dependendo do local onde ele se aloja pode resultar edema ou feridas temporárias ou permanentes, dificuldade para respirar (embolia pulmonar) e até a morte. Apesar de todos os cuidados na prevenção, com uso de anticoagulantes, fisioterapia respiratória e sair da cama precocemente para caminhar após a cirurgia, ainda assim pode ocorrer com freqüência muito baixa, menor que 2% dos pacientes.
  • Úlceras podem ocorrer principalmente em fumantes ou pessoas que ingerem álcool excessivamente.
  • Hemorragia intra-abdominal (no interior do abdômen) ou vazamento de líquidos do estômago ou intestinos para a cavidade abdominal, para outros órgãos ou através da pele (fistulas). Por esses motivos pode ser necessária re-operação e nenhum paciente deve se submeter à cirurgia da obesidade se não estiver preparado a aceitar essa possibilidade.
  • Falha na perda de peso. Raramente ocorre, e costuma estar relacionada aos hábitos alimentares após a cirurgia. Pode, no entanto, ser considerada falha da cirurgia.
  • Insuficiências de órgãos como coração, rins, fígado, pulmões.
  • Problemas psiquiátricos, como depressão, ansiedade, anorexia e bulimia podem ocorrer após a cirurgia
  • Mortalidade menor do que 1%. É semelhante a outros procedimentos cirúrgicos no abdome de um obeso mórbido.

CRITÉRIOS PARA A INDICAÇÃO DA CIRURGIA NA OBESIDADE MÓRBIDA


Embora possam ocorrer exceções, os seguintes critérios são utilizados para a realização do tratamento cirúrgico:
  • Tratamento prévio clínico com acompanhamento médico, com uso de drogas, exercícios, etc., e que resultaram em fracasso, normalmente por pelo menos 2 anos consecutivos.
  • IMC > 40 kg/m2.
  • IMC entre 35-40 kg/m2, mas que tenham outras condições graves em que a perda de peso será fundamental para o tratamento desses problemas.
  • IMC entre 30 e 35 desde que associada à uma condição de co-morbidade que receba título de GRAVE pelo especialista da área, como diabetes ou hipertensão
  • Ausência de outras condições mórbidas que possam contra-indicar uma cirurgia.

Algumas condições mórbidas (diabetes, hipertensão arterial, disfunções respiratórias, alterações de colesterol e triglicérides e artrose), são agravadas pela obesidade e, portanto, não se constituem em contra-indicação para o tratamento cirúrgico. Na realidade são indicações para a cirurgia.
Doenças psiquiátricas graves são contra-indicações para tratamento cirúrgico, a menos que, segundo avaliação do psiquiatra, o problema esteja estável ou com melhora evidente.
Os obesos mórbidos normalmente têm alterações psicológicas do tipo depressivas em maior incidência que a população de peso normal. Os sintomas psicológicos como baixa auto-estima, frustração, ansiedade e depressão moderada estão presentes em algum grau na maioria dos pacientes com obesidade mórbida. Esses sintomas geralmente melhoram após as cirurgias para a redução do peso. Entretanto, um preparo psicológico com algumas sessões anteriores à cirurgia são necessárias.
Após a cirurgia é
fundamental que o paciente mantenha seu acompanhamento psicológico e nutricional de acordo com as orientações da equipe.

CONSIDERAÇÕES


Antes de ser submetido à cirurgia, você será informado exaustivamente sobre o procedimento a que será submetido. A conversa com outros pacientes que foram submetidos à mesma cirurgia deverá acontecer nas reuniões periódicas com grupos de apoio e são muito importantes. Se houver qualquer dúvida, traga-as à consulta por escrito, para que sejam resolvidas antes da cirurgia.
Quando você se decidir pela operação serão realizados vários exames pré-operatórios, e você será encaminhado para avaliação com os seguintes especialistas, e pode ser necessário que algum desses profissionais solicite algum tratamento específico antes da cirurgia.
  • Psicólogo/psiquiatra - para avaliação pré-operatória, principalmente sobre sua capacidade em lidar com as mudanças que a cirurgia vai ocasionar, e acompanhamento pós-operatório, eventualmente em grupos com outros pacientes operados. Qualquer paciente só será operado após avaliação e liberação por escrito deste profissional.
  • Nutricionista - é quem vai preparar e acompanhar a alimentação pós-operatória e eventualmente ajudar na perda de peso antes da cirurgia.
  • Endocrinologista - vai acompanhar as mudanças no seu metabolismo e determinar se há necessidade de algum exame ou tratamento específico antes e depois da cirurgia.
  • Anestesiologista – a equipe de anestesia responsável pela sua anestesia deve ser consultada nos dias que antecedem a cirurgia, com todos os exames em mãos e os nomes das medicações que esteja usando.
  • Cardiologista, pneumologista ou outros especialistas específicos que forem necessários.

É muito importante que o paciente e sua família saibam que:
  • o uso de qualquer medicação deve ser informado à equipe médica;
  • pode ser solicitado que o paciente perca peso antes da cirurgia como forma de facilitar a realização da cirurgia e diminuir os riscos de complicação, além de mostrar o empenho e adesão ao tratamento multidisciplinar.
  • o procedimento cirúrgico é parte de um processo de perda de peso e diminuição de risco de doenças relacionadas à obesidade, e portanto ainda depende de algum esforço pessoal, principalmente na adaptação de hábitos alimentares e de atividade física;
  • existem riscos inerentes à cirurgia, e que esses riscos normalmente se elevam de acordo com o número de doenças associadas que o paciente tem;
  • a principal finalidade da cirurgia não é a estética, mas a diminuição da morbidade e da mortalidade associada à obesidade mórbida;
  • é freqüente que ocorra algum tipo de dor nas incisões durante algumas horas após a cirurgia;
  • é necessário preparo multidisciplinar pré-operatório e acompanhamento pós-operatório para que os riscos de complicações sejam minimizados, principalmente em relação à problemas nutricionais como desnutrição e/ou re-ganho de peso, além, de distúrbios psicológicos/psiquiátricos, como ansiedade e depressão pós-operatórias, que podem comprometer muito a melhora na qualidade de vida.

CIRURGIA POR LAPAROSCOPIA




video aberta


Qualquer uma das técnicas mostradas pode ser realizada por laparoscopia, que é a técnica cirúrgica que não exige uma incisão no abdome, mas alguns orifícios por onde entram instrumentos específicos para a realização da cirurgia. A principal desvantagem é o custo mais elevado, pois é uma técnica que exige instrumentos especiais que aumentam o custo da cirurgia. As principais vantagens são:

  • diminuição do risco de complicações, como hérnias abdominais, infecção da ferida e tromboses;
  • estética, já que não deixa grandes cicatrizes no abdome;
  • menos dor após a cirurgia;
  • retorno mais rápido ao trabalho.